domingo, 2 de maio de 2010

Costas

Ela então, virou-se de costas, e partiu, no frio, com as mãos em volta do torax, esperança vã de se aquecer um pouco. Ele pôde apenas baixar a cabeça tentando pensar nos ultimos minutos, nas ultimas frases. Coisas derradeiras, que partiram o coração dela, e partiram a cabeça dele, como um machado afiado que acerta o golpe feroz com toda a velocidade.

Ele destruiu o pouco de amor que ela lhe dava, ele perdeu tudo o que ainda podia ganhar. Ela era mais decidia, e se deu uma abertura para ele, esperava que ele não fosse errar tantos passos.
Os malditos velhos sempre dizem das diferenças de cada um, cada homem e mulher. Eles são de tempos mais fáceis (para eles). Então as coisas ficam assim: Ele é inseguro, imaturo, e ela, apesar de ter a mesma idade, é decidida, vê seu futuro no horizonte. e por mais bela que seja a adolescencia, ela chega ao fim, e as pessoas se moldam, moldam seu caráter, no piscar de olhos reflexivo de sua criação. São todos seres da mesma sociedade, mesmos anseios e mesmas culpas.

Ela optou por seguir em frente, atrás de alguma firmeza que ele não possuía. Ela buscava a segurança de braços fortes, que a protegessem. Ele não tinha proteções, a não ser seu par de óculos. Ele não conseguia decidir aonde ir, o que fazer. E talvez isso contribua para sua solidão jocosa. Há medos ocultos em cada parede que ele toca, ele deixa esses medos permearem tinta e cimento, entrarem nos tijolos e cubrirem sua casa.

Ele vê os cabelos dela ao vento, sente seu perfume, quase sente a textura da pele, mas não vê que todos os erros dele são resposta às implicações dela. O amor é, enfim, muito complicado. Ele caminhou pra casa devagar, puxou sua coberta e deitou-se, tirando os óculos, mas sem chorar. Ele seria firme consigo mesmo...
Dormiu, acordou e dormiu de novo. As tardes seriam cinzentas dali em diante. Ele pensava um pouco nela. Pensava em correr atrás ou desaparecer. Mandaria mensagem ou correria atrás dela na rua pra beija-la forçadamente?

É outro desvio dessas crianças apaixonadas, pensar que todo tormento é amor, e pensar que são heróis de filmes românticos. E é tolice pensar que jardins secretos, onde rosas brancas e vermelhas, sem espinhos crescem enquanto o mocinho e a mocinha se beijam, existam. Pois agora entra o mundo dos adultos, e lá os sentimentos são tão banais, tão marginais. Só há lugar para o tempo, e o tempo é forte e exigente, suga tudo com seus tentáculos invisíveis. Aquilo a que nos dedicamos é aquilo que nos escraviza, e O Pequeno Príncipe é apenas o livro de cabeçeira das misses.

Ele decide ligar, depois decide deixar tudo correr. O que ela espera é um ataque, ela espera firmeza da parte dele. Ela espera que ele chegue até ela, e diga com firmeza que a quer, e deslize seus dedos entre os fios de cabelo dela. Ela quer o príncipe encantado que terá de esquecer no futuro.

Ele larga tudo, ele deixa a bomba explodir e liga. Ouve um breve alô, um desesperador alô. Onde está aquela firmeza do cara que expodiu o mundo por aquela garota do outro lado da linha? Ele quer conversar. É claro que ela quer ouvir. No local de encontro, ele a vê de costas. Aquelas costas severas. Ele a abraça, beija seus cabelos, dá vontade de chorar, pra não ver aquilo acabar nunca.
Ela se vira e ele não diz nada antes de beijá-la. Não haverão promessas sem recompensa antes.

Quem passa e vê acha tão simples. Os velhos dirão que crianças não deveriam ser tão vulgares, e onde está a maldita inocência nos dias de hoje?

Nem Deus sabe, mas a inocência é aquele momento, aqueles minutos que eles vão desfrutar, encantados e com egos inflados, antes que a vil natureza humana os sugue para suas repartições, para seus escritórios. De tudo que viverão, a única coisa que não podem negar é que foram inocentes até o fim.

"A gente tem essa mania de piscar e perder o momento... o momento que poderia ter mudado tudo."

3 comentários:

E s t e r _ disse...

"Há medos ocultos em cada parede que ele toca, ele deixa esses medos permearem tinta e cimento, entrarem nos tijolos e cubrirem sua casa."


- Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. (William Shakespeare)


sem mais.

renato disse...

coisas que ficam para tras
deixan somente o pesso da vida errante em noites de reflexoes e nostalgia
ja nao sei mais como era ter 15 anos
o passado pesa pra carralho mano
belo texto abrass veio

Anônimo disse...

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