quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Perder Alguém e reminiscências

Não há nada muito complexo nas palavras a seguir. Apenas o fato de que andei pensando em uma determinada cena do filme "Na Natureza Selvagem", onde, nos momentos finais, o pai de Christopher McCandless, o protagonista, percebe que pode nunca mais ver o filho, e isso faz com que ele caia em desespero, ele senta-se no meio da rua, chora, e puxa a calça para cima da canela, hábito que tinha quando jovem, hábit já esquecido, assim como os idealismos e provações juvenis pelo qual o próprio filho, desaparecido, poderia estar também passando.

Não é esse um desespero sem sentido, ou sem motivações suficientes. Essa deve ser a sensação que fica nos pais quando eles tem uma recaída, em menor ou maior escala, de que erraram com os filhos, e não se desculparam a tempo.

E o que escrevo aqui, também escrevo influenciado por uma canção chamada John Wayne Gacy Jr., do cantor Sufjan Stevens. A melodia é singela e tocante, a melhor música que ouvi dele, e também parece um lamento sussurrado, um desabafo do mesmo desespero pelo qual o personagem o filme supracitado passou. Não traduzi a música completamente para chegar à essa minha teoria, mas junto ao clipe da música, construi a idéia do lamento das reminiscências, sobre filhos que entram e carros que desaparecem, com estranhos que nunca viram, com estranho que lhes oferecem presentes. Isso é óbvio ao ver o clipe, que é um video educacional da década de 50, onde são mostradas imagens de crianças entrando em carros de desconhecidos.

O que é perder um filho? Por morte, com certeza é horrível, e já diria o rei de Rohan, em O Senhor dos Anéis: "Nenhum pai deveria enterrar seu filho". Mas o que dizer de um destino incerto para o filho amado?^Quando este desaparece no mundo? Como fica a cabeça de um pai que se culpará eternamente por um filho que desapareceu? Foi culpa dele? Se foi, onde errou? Foi a educação que deu ou deixou de dar?

Nesse momento, o piano que dita a melodia de John wayne Gacy Jr. invadem a minha cabeça, e construo todos esses exemplos com uma pontada de dor por um filho meu que poderia desaparecer. E se for como Na Natureza Selvagem?? E se eu errar mesmo e só reconhecer quando meu filho estiver à beira da morte? Ou em grande dificuldade? Eu não saberei onde busca-lo, nem como protege-lo, e pior! Me lembrarei que neguei essa proteção enquanto ele estava em meus braços. Um bebê desprotegido desde sua concepção! Onde meus instintos paternos foram parar?

Como é, na visão de uma mãe cujo filho foi levado, arrumar o quarto da criança que sumiu a mais de 5 anos? Será que ele aprendeu a andar de bicicleta? Será que ele é um esportista, ou prefere ler livros do Mágico de Oz? Será que ele briga muito na escola? E a textura dos cabelos? como será? Será que eu o reconheceria na rua?

Ficam as lembranças... se serve de consolo, o filho manda uma carta à mãe em O Segundo Andar, do cd 4, Los Hermanos.


Ainda assim, sobram as reminiscências, e a saudade.

Um comentário:

Bruno disse...

Acho que existem varios e diferentes tipos de pais por ae soltos no mundo!!!!
A maneira de cuidar, educar e solta-los os seus filhos na sociedade, cada um tbm desenvolve o seu próprio metodo.

mas a dor de perder um filho seja ele por qualquer motivo acho que é a mesma em todos e diferentes pais!
Mas, existem aqueles pais (ou vermes) que naum tem consentimento com ninguem, e assim como foram criados, largados pelos seus pais naum tem um exemplo claro em sua memoria restante que ainda naum foi danificada pelo o alcool, como é importante ter um pai, esses nuam deveriam ter filhos, mais são esses que mais colocam pessoas que certamente, vai ser mais um inutil na sociedade!!!!