quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lágrima Opaca

Chorar sem saber por que.
Ou por que ter tanto pra chorar, ou não chorar e se engasgar.
Tem tanto sorriso na rua, e quantos não escondem choro na nuca?
Tem noites que chove sob meus olhos, e eu não sei por que. Tem noites que o mundo chora pra eu poder ver.
Aquele seu choro piramidal, distante e metalizado não combina com seus olhos curiosos. E meus olhos reprimidos não respondem bem aos filmes de emoção que eu vejo as quatro da manhã.
Eu não queria chorar o mar, mas minha boca lá se foi salgar de lágrimas que correram o rosto e a língua foi buscar.
Se o choro descansar os olhos tanto mais quero viver sem chorar, cansado de perder meu tempo buscando um outro olhar.
Tem uma lágrima que brilha na sua blusa de cetim, tem uma lágrima opaca escorrendo no meu terno de brim.
Olha só pra nós, onde fomos chegar. Não dá pra abrir os olhos mais, sem começar a chorar.

2 comentários:

Senhorita Freitas disse...

lavar a alma para enxergar melhor o dia ou o escuro de nós mesmos...

Neyde disse...

ô ney